Quando abraço minhas sombras

Percebo que meu indicador, se faz em riste!

Esqueço dos demais, que voltados em minha direção, apontam e mostram onde precisa, de fato, estar minha atenção.

Quando falo “Você é”, esqueço de quem eu sou!

No desconforto de uma crítica, deparo-me com a incongruência, de ser ótima em criticar.

Percebo-me sincera, sempre “bem intencionada”, por vezes também cruel, mas sempre “bem intencionada”.

Esqueço que sou feita de dois olhos, dois ouvidos e uma boca.

Esqueço, por vezes, de exercitar o silêncio, a beleza e a amorosidade.

Quem nunca reclamou, ou ainda foi sarcástico com o outro, que atire a primeira pedra.

Quando me percebo, já foi! Já agi! Já falei! Já fiz!

Adoro comparações, olhar o verde das gramíneas vizinhas, faz-me esquecer das minhas.

Esqueço que posso regar minhas próprias sementes e florescer naquilo que eu sou, que já está e já é.

Aqui, esqueço das minhas vulnerabilidades, meus medos, ansiedades, culpas, ilusões, mentiras, dores e negatividade.

Brota neste instante um lindo encontro, aquele comigo mesma. Regada a muita paz, luz, amorosidade e descobertas.

Que eu aprenda a fluir no fluxo natural da vida.

No reconhecer daquilo que já é, já está.

Que eu fale na proporção de uma boca.

E escute com a atenção de dois ouvidos.

Que eu veja e esteja atenta as oportunidades diante dos meus dois olhos.

Perceba e sinta a vida com a totalidade da pele que cobre meu corpo.

Que eu me aceite na imensidão daquela que eu já sou.

Que assim seja, porque já é, e será!

Foto: @sandra_fotografia

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